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sábado, 16 de agosto de 2014

Esse mundo gira, cara.

               para o Velho.

cara, esse mundo, ele gira
já sacou isso?
cada dia é outra história
se você pôr à prova,
amanhã a guerra estoura
mais uma
e você passou o dia
todo o dia
fazendo planos
sem pensar nisso,
entende a jogada?
o plano secreto é esse:
não faça planos
nem se renda as tentações.
ta chovendo lá fora, agora
e toda gente correndo
fugindo da chuva
é esse mundo, cara, ele gira.

cara, ame, pra valer
ame pra valer
mas não o bastante
vou te dizer, nada
nada é o suficiente
use, mas não desperdice
seu amor
seus sapatos
suas promessas
sua tolice,
esse mundo gira
cria ventos, tempestades,
e leva embora seu dia
hoje você bebe
amanhã pode ser ressaca.

o mundo gira,
nossa, como gira
deixa teu mundo girar
cara, ele é teu
o que hoje, tão distante, não é
amanhã pode ser
e depois de amanhã, e depois
nem vai parecer
que já não foi.
deixa girar
e você vai sacar.

toque fogo, cara,
fogo ao teu juízo,
fogo ao que
foge ao teu juízo
o mundo gira
e amanhã, esteja certo
não serão nem brasas.
só cinzas.

matou a xarada?
bote fé, o mundo gira.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Misunderstood: Bad english.

          para D.

I still wonder
what was it
that we left
in the ashtray,

I paid the booze
the rent
to see,

I stayed with you
in and out
in the bars
in the hangovers
out on the weekend,

I accepted
all your
mistakes
misconducts
misbehaviors
mistresses
hoping that
at least
you would not miss
my phone number
my birth date
my love poems
my music
my name,

I got it,

I did it bad
bad as the misses of mine
as my booze
my love poems
my love calls
our love nights.

domingo, 20 de abril de 2014

Aberto 24 horas.

           para S.

Nessa imensidão
onde você tinha de tudo
24h por dia
pela metade do preço
hoje se vê uma placa
pendurada na porta
dizendo:
faliu.

lá dentro tem um homem
encostado na parede
sentado no chão
vigiando o que restou
sabendo que os dias glórios
voltarão, um dia
sob nova direção.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Bagdah.

             para D.

Ando,
   olho as horas
      e lembro de você.

Bagdah, 4:20.

Olho para o céu,
   espero
mas não te vejo chegar.

E eu cada vez mais triste.

A última vez
   que você veio, pediu
mas não fui te esperar.

Vou esconder meu rosto
Com aquela
   velha
      camiseta preta.

Percebe
   como é fácil
      descarrilhar?

Não sei soltar o verbo.

Uso os verbos tristes
  que li em teu
     sorriso.

Não posso mais,
   Bagdah

Perdi a hora.
  
Que um dia
   possa te encontrar
      refeita.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Essa árvore que a gente plantou.

             para L.

Hoje meu espírito pede uma noite diferente, distante
Como daquelas que tivemos juntos há algumas primaveras.
Pede garrafas de vinho, insanidades confortantes,
Uma fuga, só, nada cinematográfico,
Simples apenas, doida o bastante.

Hoje meu espírito quer te buscar e encontrar, seja onde for
Jogada no sofá ou me olhando do colchão.
Quer deitar e sentir o mundo girar, se partir
Te abraçar e esquecer os dias de transe
Ser você, até o outono chegar, a folha cair.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Estranhos naquela noite.

           para R.

baby,
naquela noite éramos apenas dois estranhos
fazendo de taças e tragos nossa celebração
da derrota e da solidão
eu vestia meu velho sapato de cadarços poídos
minha velha calça surrada
aquela camisa que aparece nas fotos
e meu pralana, é claro
você vestia sua melhor roupa
que dava a seu corpo toda a forma
      de mulher que um homem pode desejar
nós bebemos naquela noite, pra valer
já estavamos completamente bêbados
      quando toquei sua campainha,
             diga-se a verdade
eu estive no bar horas antes, baby
escorado no balcão
deixando que o suor de tantas garrafas
fizesse minha noite
nem olhava para o lado
para não ter que encarar a face estúpida
de toda aquela gente tatuada
foi quando tocaram meu ombro
e no meu ouvido disseram que você estava
      em casa
            sozinha
                  esperando por mim
e não passávamos de dois estranhos...
estranho, isso
eu deixei o bar e fui até seu endereço
quando cheguei na rua indicada
parei o fusca do amor
da janela você chamou, alvarêz!
sorri para você, encostei o do amor, subi
e toquei sua campainha
      estúpido demais para fazer uma serenata
bêbado demais para enxergar além
e entender a ternura daquela paisagem
you, on the balcony, 
      over your elbows, smiling to me
continuamos bebendo naquelas horas perdidas
a madrugada já era um cúmulo
qualquer prece seria um absurdo
fizemos, então, o que seria o mais ponderado
bebemos,
      bebemos,
            bebemos
o que foi mesmo que você pôs para a gente ouvir,
      lou reed
            ou bob dylan?
tanto faz, a gente bebia
e fizemos, então, o que se espera de dois estranhos
sozinhos numa madrugada sem fim
fazendo de taças e tragos a celebração
da derrota e da solidão
baby, me encaixei em você
e deixei que o suor de seu corpo
fizesse nossa noite
      nossa madrugada
            nossa alvorada
até que os pássaros anunciassem o novo dia
numa sinfonia estridente e louca
lembrando que somos todos estranhos
e o que fica, geralmente, é a tristeza
      abrigada
navegando nesse rio que nunca acaba.